Como incluir colaboradores LGBT+ em empresas automotivas


No mês que celebra um grupo minorizado, organizações do setor têm o desafio de praticar a diversidade antes de defendê-la

O arco-íris da diversidade se espalhou dentro e fora das redes sociais neste mês em homenagem ao Dia do Orgulho LGBT+, celebrado em 28 de junho. Grandes marcas se posicionaram publicamente em respeito às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. A causa é importante, mas antes de levantar a bandeira colorida, é fundamental que a empresa pratique esses valores com seu público interno, os próprios colaboradores.

No setor automotivo, os avanços ainda são tímidos e podem ser ampliados. “É um segmento ainda muito masculinizado e heteronormativo. Quebrar esse paradigma é muito importante porque a diversidade traz uma troca de experiências maior e impacta a criatividade, a inovação e a produtividade”, afirma o coordenador estadual de políticas públicas para a diversidade sexual da secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, Marcelo Gallego.

PRECONCEITO NAS EMPRESAS

Estudo encomendado pelo Linkedin, como parte da campanha #ProudAtWork, indica que metade dos profissionais LGBT+ já assumiu abertamente a sua orientação sexual no trabalho. O levantamento foi realizado on-line com 1.088 profissionais de todo o país.

Os dados apontam que 25% ainda não assumiu abertamente a sua orientação sexual. Os principais motivos apontados foram: não ver necessidade (51%), não gostar de falar sobre a vida pessoal (37%), ninguém saber sobre a orientação sexual dentro e fora do trabalho (32%) e sofrer medo de represália por parte dos colegas (22%). Em relação ao preconceito, 35% dos entrevistados LGBT+ afirmou já ter sofrido algum tipo de discriminação dentro do ambiente de trabalho.

Em meados deste mês o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a homofobia agora é crime, assim como o racismo. O avanço é um marco importante, mas para Gallego não é a solução. “Criminalizar vai inibir esses atos, mas não vai acabar com a discriminação. É importante que dentro das empresas existam ações para promover o respeito, a diversidade e a inclusão”, pontua.

COMO CRIAR AMBIENTES INCLUSIVOS NO MUNDO CORPORATIVO

Tornar o ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo é um processo que leva tempo, mas não é impossível. O importante é dar os passos iniciais, com o comprometimento da liderança, e envolver a equipe aos poucos para alcançar resultados efetivos, aponta Gallego.

Então, por onde começar a atrair e engajar colaboradores LGBT? De acordo com o especialista, as empresas podem pensar em cinco ações iniciais que podem gerar grandes resultados e pavimentar o caminho para passos mais ambiciosos.

1. Espelhe-se em outras marcas

A sua empresa não precisa começar inovando nas políticas de inclusão. É possível se inspirar em ações positivas de outras companhias. Bons exemplos de empresas inclusivas são o Google, Facebook, SAS, Dell, Siemens, VDI-Brasil, entre muitas outras.

2. Mapeie boas práticas e adapte à sua realidade

Claro, nem tudo que funciona em uma empresa pode funcionar em outra, mas é possível incorporar e adaptar algumas práticas. Uma dica é estender benefícios já existentes para todos os grupos de pessoas. A Siemens, por exemplo, ampliou a licença parental para casais homoafetivos.

3. Incentive grupos de afinidade dentro da organização

Busque identificar colaboradores LGBT+ que estejam dispostos a compartilhar suas histórias para sensibilizar os demais colegas e ajudar na implementação das iniciativas. É importante que os grupos sejam diversos, sem segregação.

4. Entenda a realidade das pessoas

Muitas pessoas LGBT+ passam por rejeição da família, são expulsas de casa e acabam largando os estudos. Na hora de contratar, pode ser necessário deixar de lado algumas exigências para agregar esses colaboradores e capacitá-los.

5. Seja um embaixador da transformação

Mudanças como as indicadas aqui têm potencial de impactar diretamente os valores da empresa. Por isso, é importante que a alta liderança esteja engajada para incentivar, apoiar e promover a transformação.

A partir dessas dicas, Gallego recomenda que as organizações desenhem outras soluções ou busquem o apoio de consultorias especializadas em inclusão e diversidade. Vale também buscar canais de informação sobre o tema, como a Rede AB Diversidade.

0 visualização