A mulher no setor automotivo: o que há para comemorar?

As mulheres são apenas 6% da alta liderança das empresas que compõe a indústria automotiva, conforme apurou pesquisa feita por Automotive Business em 2018. Quando consideradas todas as áreas, a força de trabalho feminina representa apenas 17% do quadro total do setor, com salários que chegam a ser 33,8% inferiores ao de homens em cargos equivalentes (veja neste estudo).

Muito além de evidenciar uma situação de desigualdade, os levantamentos buscam gerar conhecimento e ser o ponto de partida para fomentar transformações positivas na indústria automotiva. Neste Dia Internacional da Mulher, a boa notícia é que se há tanta desigualdade existe também uma série de oportunidades para causar impacto social e, ainda, gerar negócios, receitas e lucratividade, como apontam os indicadores a seguir:

- A igualdade de gênero adicionaria US$ 12 trilhões à economia global e US$ 850 bilhões ao PIB do Brasil (McKinsey) - Empresas com mulheres em cargos de liderança aumentam em 21% a chance de ter desempenho financeiro acima da média (Mckinsey) - O número de lares chefiados por mulheres saltou 105% de 2005 a 2018 (Escola Nacional de Seguros) - Organizações com mais diversidade geram 19% mais receitas a partir de inovação (Harvard Business Review) - Mulheres decidem sozinhas ou em parceria com homens as compras em 97% dos lares brasileiros (J. Walter Thompson).

EMPRESAS INVESTEM NA TRANSFORMAÇÃO Automotive Business fomenta a promoção da igualdade de oportunidades no setor por meio da Rede AB Diversidade, um campo para a troca de conhecimento e boas práticas pela diversidade entre empresas automotivas. A iniciativa já conta com o apoio da ONU Mulheres e do Movimento Mulher 360.

Este trabalho começa em 25 de março e, até o fim do ano, vai fomentar a inovação inclusiva e a diversidade na indústria em oito encontros que reunirão diversas empresas. No segundo semestre haverá a divulgação dos resultados da segunda edição da pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo.

Enquanto o levantamento não é divulgado, listamos a seguir alguns bons exemplos de organizações automotivas que já começaram a trilhar o longo caminho para reduzir a desigualdade no setor:

BRIDGESTONE “Faz parte da missão global da Bridgestone recrutar e desenvolver uma força de trabalho diversificada, que englobe o multiculturalismo”, aponta Lucila Del Grande, diretora executiva de Recursos Humanos da Bridgestone. Segundo a executiva, este esforço é claro no processo de contratação. Ela cita um caso recente em que duas mulheres descobriram a gravidez ao longo da seleção e isto não foi empecilho para que fossem escolhidas, já que eram as profissionais mais qualificadas para as posições. Del Grande conta que a empresa tem tradição em ter participação feminina em cargos ocupados tradicionalmente por homens. “Contamos com a única engenheira de testes de desenvolvimento de pneus na Bridgestone na América do Sul”, exemplifica.

CNH INDUSTRIAL Com o quase o dobro de mulheres em posição de liderança em comparação com o mercado brasileiro em geral, a CNH Industrial também reforça sua posição em buscar reverter a desigualdade de gênero por meio de iniciativas internas que promovam a diversidade e debates sobre o assunto. “Ainda estamos buscando entender como, e também, criar ambientes mais inclusivos, além de consolidar, de uma vez por todas, uma cultura mais centrada na valorização da diversidade em todas as suas dimensões”, defende a vice-presidente de RH da empresa, Telma Cracco. Em 2018, a companhia criou o Comitê da Diversidade, composto por pessoas de diversas áreas, idade, cargos e gênero. O grupo tem alguns direcionadores estratégicos que buscam tratar a diversidade de forma mais ampla, focando em PCDs (pessoas com deficiência), negros, mulheres, LGBTIs e todas as minorias que tanto têm a contribuir para os negócios. Segundo a executiva, as ações da empresa dedicados ao tema têm contribuído para torná-la mais reconhecida em diversos aspectos. Pela oitava vez, a CNH Industrial foi apontada como líder pelo Índica Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) do mundo e da Europa. “O tema diversidade está entre os que nos levaram a esse reconhecimento e tem se tornado, ano a ano, uma prioridade em todas as nossas unidades”, destaca.

CUMMINS Em 2010 a empresa fundou um grupo de afinidade voltado às mulheres, o WAG - Women’s Affinity Group. “Desde a sua criação, dados apontam para a crescente participação das mulheres em todos os níveis hierárquicos da Cummins na América Latina: de 33% em 2015 para 36% em 2017”, conta Adriano Rishi, diretor de Engenharia da empresa para a região. Segundo ele, o aumento representa o ingresso de mais de 270 mulheres na organização. “Só na engenharia o salto foi de 17% para 34% nos dois últimos anos na unidade de negócios de motores.”

FAURECIA Uma série de ações tem sido desenvolvida pela Faurecia para ampliar a contratação de mulheres, o que resulta em um balanço bastante positivo. No último ano, o número de funcionárias aumentou mais de 40%, uma das metas da empresa e que foram determinadas pelo próprio diretor geral, Abdo Kassisse, envolvido de forma intensa com o tema diversidade. Entre as ações propostas, estão a política de igualdade da empresa, na qual homens e mulheres têm as mesmas condições e oportunidades, além de atividades pontuais entre os funcionários relacionadas à diversidade, com destaque para a presença feminina nos ambientes. Em 2019, a semana pós-carnaval é dedicada às ações que visam a integração dos empregados, com debates sobre valores e respeito ao diferente, com destaque para o Dia Internacional da Mulher (08 de março). Segundo a empresa, nos últimos anos, esse têm sido um tema de destaque com um olhar não só para a mulher, mas também para a diversidade como um todo e que se faz presente dentro e fora da empresa. Atualmente, a companhia mantém mulheres em todas as áreas e níveis hierárquicos.

FCA Como parte da estratégia para promover ambiente mais igualitário a FCA passou a fazer parte do Movimento Mulher 360, iniciativa que busca fortalecer políticas e boas práticas relacionadas ao tema. Segundo a diretora de Recursos Humanos da companhia na América Latina, as discussões sobre o assunto não ficam restritas ao departamento, mas contam com envolvimento de um time multifuncional e envolvem a liderança da empresa.

GERDAU A Gerdau firmou seu compromisso com os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) da ONU em 2017 e desde então vem reforçando sua política e iniciativas na busca pela igualdade de gênero e empoderamento. Entre as missões tratadas pelo tema diversidade na empresa, a questão do gênero foi a primeira vertente a ser trabalhada com o objetivo de aumentar a participação das mulheres em todos os níveis da companhia. Oficinas de conscientização com a alta liderança e treinamentos sobre vieses inconscientes para mais de 1 mil líderes têm feito parte do escopo do trabalho, além da capacitação de todos os componentes do comitê de diversidade, o que garante o comprometimento com o tema a fim de estimular o ambiente inclusivo por meio da educação para a diversidade. A empresa também experimentou o recrutamento às cegas e estruturou um projeto para a contratação de mulheres para a área de logística, com o intuito de elevar a participação delas nas áreas operacionais nos complexos industriais.

MERITOR Como primeiro grande passo para promover a liderança feminina na operação brasileira, a Meritor implementou localmente um programa de mentoria. Em encontros mensais, as colaboradoras da empresa discutem seus desafios, pontos fortes e caminhos para a evolução profissional. Atualmente as mulheres são 3% da força de trabalho da companhia no Brasil.

NISSAN A fabricante de carros aponta que o esforço para garantir igualdade de oportunidades entre os gêneros vem crescendo internamente. Rosane Santos, presidente do Instituto Nissan e gerente de sustentabilidade da empresa na América Latina, destaca que há acompanhamento cuidadoso da presença da mulher em todos os níveis hierárquicos. Segundo ela, a empresa também trabalha para estruturar um amplo programa de diversidade e inclusão, atendendo a diretrizes globais. “O Instituto Nissan também está patrocinando, pela primeira vez, um projeto social chamado Mulheres da Maré, no Rio de Janeiro, cujo objetivo principal é a profissionalização das mulheres desta região da cidade. Isso reforça que a Nissan considera relevante o tema do empoderamento feminino tanto internamente quanto externamente”, aponta.

VOLKSWAGEN A Volkswagen destaca ter promovido uma série de ações nos últimos anos que já refletem em aumento da participação feminina no quadro de funcionários: as colaboradoras são 7,5% dos 15,4 mil funcionários da companhia – o maior número dos últimos três anos. A empresa aponta ter adotado a busca por equilíbrio de gênero nos processos seletivos para cargos executivos e no programa de trainee, além de plano de desenvolvimento para talentos femininos. A busca da empresa acompanha a meta imposta pela matriz alemã de que 13,74% dos cargos de gestão devem ser preenchidos por mulheres – no Brasil este índice está 12% após as ações promovidas recentemente.

VOLVO No Grupo Volvo, as iniciativas sobre diversidade se intensificaram com o objetivo de aumentar o número de mulheres não só no chão de fábrica, mas também em cargos administrativos. Desde 2013, a empresa promove a Semana da Diversidade & Inclusão, evento que acontece simultaneamente em todas as filiais do grupo pelo mundo. O objetivo principal é debater e disseminar os conceitos com os funcionários por meio de diversas ações. Relacionado à diversidade de gênero, os resultados são animadores: a presença feminina aumentou de 15% para 18% entre 2014 e 2018 nas unidades que a Volvo tem no Brasil, em Curitiba (PR) e em Pederneiras (SP). O índice é similar ao apresentado globalmente pelo grupo.

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