Como o Empoderamento Familiar pode transformar a sociedade e as corporações?



As mulheres estão ganhando espaço e voz nos mais diferentes segmentos, e com isto o termo “Empoderamento Feminino” vem ganhando força. No entanto, um termo que poucos conhecem é o “Empoderamento Familiar”.

Os arranjos familiares da atualidade têm diversas configurações: patriarcal, monoparental, recasamentos e homoafetivas. Esta diversidade está transformando a sociedade e exigindo uma nova abordagem nas corporações. Por isso, é necessário falarmos sobre o Empoderamento Familiar, que busca fortalecer a família diante das novas estruturas para redefinir o papel das mães e dos pais na sociedade.

Antigamente, a tradicional família brasileira era baseada em um modelo patriarcal, no qual o homem era o único responsável pelo sustento da família e a mulher cuidava dos filhos e da casa. Hoje, esse cenário vem se alterando, com homens que compartilham as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos e mulheres que trabalham fora.

A estrutura familiar tradicional também não é mais predominante e existem diversos tipos de estrutura, como a Monoparental, que possui apenas a mãe ou o pai responsável pelo sustento do lar e sustento dos filhos, os Recasamentos, que se formam na busca de novos parceiros, que, muitas vezes, já tem seus filhos, e as uniões Homoafetivas, na qual em muitos casos há a adoção de crianças.

Ao empoderar as famílias, todos os membros só têm a ganhar, e uma das principais condições para isso é a mudança de postura dos homens. O parceiro pode se tornar mais consciente entendendo o prazer de participar da criação dos filhos, além de compartilhar as funções com responsabilidades iguais, ao invés de somente “ajudar”. O benefício dessa transformação não é apenas desafogar as tarefas da mãe, mas também criar filhos mais saudáveis emocionalmente.

Quando um pai cuida do seu filho na primeira infância, muitas conexões positivas acontecem, a intimidade vai se desenvolvendo e a confiança e o amor vão se consolidando. Não é só uma questão de desenvolvimento infantil, mas também do desenvolvimento do homem e do pai, que adquire 3 importantes competências: acolhimento, cuidado e compreensão da necessidade do outro.

Além da transformação paterna, o Empoderamento Familiar também trata da educação dos filhos em uma sociedade moderna, que conta com dois desafios a serem trabalhados pelas famílias: os estereótipos de gênero e o empoderamento das meninas.

O primeiro diz respeito a divisão de cores e brinquedos entre meninos e meninas, por exemplo. É preciso esclarecer que nos tempos de hoje não existe mais brinquedo de meninos ou de meninas. Os brinquedos não devem mais ser divididos por gênero, já que bonecas e carrinhos podem ser divertidos para ambos os gêneros. O que a criança deve saber e entender é que há diferenças de gênero e que ela pode brincar de maneira saudável, não preconceituosa.

Já o segundo desafio a ser enfrentado pelas famílias modernas é a criação de meninas mais confiantes e empoderadas. Uma pesquisa realizada pela ONG Britânica Plan com 1.948 garotas brasileiras constata que 40% das meninas brasileiras entre 6 a 14 anos não se acham tão inteligentes quanto os meninos.

Criar rótulos para as meninas como, vocês não são boas em matemática ou ciências, é algo que prejudica muito o desenvolvimento delas, minando sua autoconfiança, destruindo sua autoestima e ensinando que elas não são capazes, somente por serem do gênero feminino.

É através das transformações realizadas em nossas casas que vamos conquistar um mundo mais igualitário e justo e assim, num futuro próximo, teremos uma sociedade mais saudável e menos preconceituosa com as crianças.

* Cristina Kerr é palestrante, especialista em diversidade e gênero, é CEO da CKZ Consultoria em Diversidade e idealizadora do Fórum Mulheres em Destaque, que está na 7ª edição e acontece nos dias 29 e 30 de novembro de 2017 no Villa Blue Tree em São Paulo. www.forummulheresemdestaque.com.br


0 visualização